segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Benefícios da acupuntura na saúde da mulher

O tratamento através da acupuntura apresenta excelentes resultados em um variado número de disfunções que acometem a saúde da mulher moderna.

Entre elas destacam-se: a depressão, ansiedade, tensão pré-menstrual, enxaqueca menstrual, infertilidade e cistites de repetição. Entre as disfunções citadas, as que mais levam as mulheres aos consultórios de acupuntura são dor de cabeça, depressão, ansiedade e tensão pré-menstrual.

Quando o estímulo desencadeado pela agulha de acupuntura atinge áreas específicas do sistema nervoso central, ele desencadeia uma série de reações neuroquímicas, que terão como resposta a produção de um variado número de substâncias, de extrema importância na manutenção do equilíbrio orgânico - os neurotrasmissores: serotonina, noradrenalina, dopamina, beta endorfina, cortisol.

Segundo especialistas do Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura (CBMA), órgão oficial da acupuntura médica do país, quando uma pessoa está depressiva e ansiosa, ela sofre uma desarmonia na oferta de neurotrasmissores como serotonina e noradrenalina.

Quando o paciente faz uso de um antidepressivo, este vai agir regularizando esta oferta. A acupuntura, por sua vez, faz exatamente a mesma coisa, só que sem os indesejáveis efeitos colaterais desses medicamentos.

As cefaleias crônicas, como as enxaquecas por exemplo, também se devem a uma disfunção nos neurotransmissores e através da acupuntura pode-se obter excelentes resultados no tratamento desse mal.

Porém, nesses casos, outras substâncias produzidas pela ação da acupuntura também são acionadas: a beta endorfina, que tem grande ação analgésica e o cortisol que é um excelente anti-inflamatório.

No caso da tensão pré-menstrual, que alia sintomas dolorosos e emocionais, como nervosismo, agitação, agressividade e tristeza, a acupuntura agirá através das substâncias já citadas, minimizando a dor, causando relaxamento uterino e acalmando a paciente.

quarta-feira, 4 de setembro de 2019

Acupuntura: 6 razões para fazer

Acupuntura é uma das chamadas práticas integrativas, isso é, tipos de tratamento que não são normalmente utilizados. Eles também são chamados de medicina alternativa e não é baseada em medicamento, mas sim em agulhas.

Como boa parte das práticas integrativas, essa também é originada no China há mais de dois mil anos e chegou até o ocidente há pelo menos 100 anos.

Hoje profissionais do mundo todo utilizam e recomendam essa prática para inúmeros motivos que trataremos mais à frente neste texto. Curioso?

Continue lendo esse texto, que iremos falar mais sobre esse tipo de tratamento e seus efeitos.

Afinal, o que exatamente é acupuntura?

Como dissemos, essa é uma terapia criada na china e, de forma resumida, trata-se da aplicação de agulhas em pontos específicos do corpo a fim de promover saúde.

Ao serem inseridas, essas agulhas estimulam terminações nervosas que levam o estímulo até o cérebro, desencadeando efeitos diretos no corpo.

Para tratar diferentes problemas, terminações nervosas diferentes são estimuladas que acabam enviando diferentes mensagens para o cérebro que causam efeitos distintos no corpo.

Se você for cético pode estar duvidando dos efeitos curativos deste tratamento chinês, se este é o seu caso saiba que existem inúmeros estudos científicos e a sua eficácia é comprovada.


Para que serve

Você consegue tratar inúmeras condições com as picadas de agulhas como por exemplo: distúrbios do sono, problemas gastrointestinais, neurológicas e ortopédicos, doenças respiratórias, dentre muitos outros.

Além de distúrbios físicos, esse procedimento também é amplamente aplicado para o tratamento de condições psicológicas e emocionais como ansiedade, estresse e até depressão.


A gama de tratamentos que podem ser feitos ou auxiliados com as picadas de agulhas é realmente enorme, mas existem outros motivos? Vejamos:

Porque utilizar a acupuntura

Vamos agora abordar 6 benefícios que esta terapia chinesa pode trazer e que talvez você não tenha conhecimento:

1- Regulação do ciclo menstrual
Mulheres que sofrem com ciclos menstruais incertos, pode contar com as picadas de agulhas para ajudar a resolver esse problema. Essa técnica tem sido usada há séculos para essa finalidade e a mulher moderna também pode utilizá-la para alcançar uma melhor qualidade de vida.

2- Alívio de dor lombar
A dor lombar é uma das principais reclamações de pessoas com mais idade. Essa prática milenar pode ajudar a manejar essa dor, tornando-a mais branda e nem precisa de muitas sessões para isso. A acupuntura reduz a inflamação, promove a circulação sanguínea e ainda libera endorfinas, hormônios associados ao prazer e bem-estar. Uma pessoa feliz sente menos dores.

3- Ajuda a regular o sono
Insônia é uma condição que pode ser considerada cruel. E a rotina do século XXI não ajuda, estamos expostos a estresse a todo momento, trânsito, trabalho, filhos, etc. O uso de aparelhos eletrônicos também não tem ajudado.Sendo assim, se você se encontra nesse cenário, pode contar com um acupunturista para regular o seu sono e diminuir seus níveis de estresse.

4- Aumenta a imunidade
Chega de ficar doente a cada troca de estação! As agulhas também tem a capacidade de melhorar a sua imunidade, mais precisamente mais células de defesa são contadas no sangue de indivíduos que realizam essa prática.

5- Perda de peso
Atingir o peso ideal nem sempre é uma tarefa fácil, nesse sentido, ao invés de contar com o auxílio de medicamentos que têm o potencial de te fazer mal, por que não apostar nesta terapia chinesa? Essa prática melhora a digestão e aumenta o metabolismo, resultando na queima de mais calorias.

6- Acelera a recuperação de lesões
O fluxo sanguíneo é algo fundamental para a recuperação de lesões de modo geral. A metodologia auxilia justamente nessa ação, recuperando a circulação até um nível saudável. Essa prática pode diminuir o tempo de recuperação e tratamento fisioterápico de lesões musculares por exercícios físicos intensos, por exemplo.

Gostou do conteúdo sobre acupuntura? Lembre-se que você deve contar sempre com profissionais capacitados para realizar essa prática em você e com devida orientação médica.

quarta-feira, 21 de agosto de 2019

Acupuntura é eficaz para amenizar todos os tipos de estresse

Em casos mais graves, tratamento alivia tensões ao integrar acompanhamento psicoterapêutico

Seria difícil encontrar alguém que nunca tenha sofrido de estresse. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), ele afeta 90% das pessoas no mundo, mas é preciso diferenciar uma reação rotineira comum do estresse de verdade. Este, que se apresenta em quatro fases, pode ser tratado, integral ou parcialmente, com acupuntura.

"Hoje, as pessoas estão tão estressados que, quando vão ao médico, começam a tomar um monte de medicamentos. Vejo que a própria população está descontente com isso e quer buscar uma solução não medicamentosa", avalia o acupunturista André Tsai, presidente do Colégio Médico de Acupuntura de São Paulo. Ele pondera que a técnica chinesa "não vai tratar tudo", mas melhora o estado da pessoa, ainda mais quando unida à medicina ocidental.

Terapia complementar disponível no Sistema Único de Saúde, a acupuntura faz parte da medicina tradicional chinesa, que busca compreender cada indivíduo em sua totalidade. Segundo essa vertente, as doenças são causadas por desequilíbrios entre o yin e o yang, cujos fatores são climáticos, emocionais e de estilo de vida, explica Tsai.

Uma vez que o estresse desencadeia sintomas como insônia, dor de estômago, falta de concentração e fadiga crônica, por exemplo, o acupunturista vai analisar cada indivíduo e aplicar um tratamento específico. Aqui, entram os pontos energéticos em que serão aplicadas as finas agulhas.

Nas primeiras abordagens, Tsai afirma que pode-se usar pontos genéricos que servem para todos os tipos de estresse. Chamado de 'abertura dos quatro portões', o protocolo foca em quatro pontos bilaterais, nas mãos e nos pés, que vão se ligar ao intestino grosso e ao fígado. Além desses, coloca-se uma agulha em um ponto extra, no meio das sobrancelhas, que engloba cabeça e pescoço.

Conforme o tratamento for avançando, há pontos específicos para pessoas que sofrem com baixa concentração, problemas gástricos ou dores musculares. "A acupuntura trata estresse, ansiedade, distúrbios do sono, mas é um tratamento que tem de resgatar a causa da desarmonia entre yin e yang, é preciso identificar o causador do desequilíbrio", diz Tsai.

Para chegar a esse equilíbrio, a técnica chinesa atua na redução dos níveis de cortisol no organismo, hormônio que eleva o estresse. Junto a isso, há liberação de serotonina no cérebro, que dá sensação de bem-estar e relaxamento.

Tsai explica que alguns casos de estresse precisam de intervenção psicológica ou psiquiátrica. "O paciente pode ter quadro de pânico em que a abordagem medicamentosa é necessária. Não podemos ser cegos e não ter essa conversa com a medicina moderna", afirma.

A psicóloga Marilda Lipp diz que a acupuntura é muito utilizada no Instituto de Psicologia e Controle do Stress (IPCS), do qual é diretora. Ela também avalia que o efeito é limitado. "[A acupuntura] resolve sintomas, mas no psicológico entra o tratamento psicoterapêutico."
Fases do estresse

Marilda Lipp explica que há quatro fases do estresse e, para todas elas, a acupuntura ajuda no equilíbrio do organismo. Confira a seguir cada uma delas:

1ª fase - alerta: ocorre quando a pessoa se depara com algum enfrentamento que exige esforço mental, seja um momento difícil ou um acidente. "Não é nociva, na verdade ajuda a gente", diz Marilda. Os sintomas dessa fase são tensão muscular, coração acelerado, irritabilidade, mais intolerância. Um sintoma sutil que poucos percebem é a respiração superficial, que ocorre apenas na parte de cima dos pulmões. "Isso não oxigena o cérebro e vem a irritabilidade. Se as pessoas soubessem identificar, poderiam respirar profundamente e neutralizar."

2ª fase - resistência: aqui, as pessoas começam a resistir ao que está acontecendo ao redor. Os dois sintomas mais frequentes são acordar de manhã cansado e dificuldade com memória imediata. "Nessa fase, as pessoas normalmente conseguem se recuperar e não têm problema. Se o fator estressor continuar, entra em fase patológica", explica Marilda.

3ª fase - quase exaustão: "Você começa a ter dificuldade com sono, ter desânimo, não tem vontade de fazer as coisas", detalha a psicóloga. Nesse estágio, o organismo fica enfraquecido e torna-se mais fácil ficar resfriado, por exemplo.

4ª fase - exaustão: segundo Marilda, "é a pior fase que existe", pois o organismo está debilitado. Normalmente, os casos de depressão estão associados, bem como outras doenças às quais as pessoas são suscetíveis podem se desenvolver, como pressão alta, vitiligo e psoríase.

"Todo mundo passa pela duas primeiras fases. Sempre terão desafios para enfrentar, às vezes até coisa boa", afirma a especialista. Ela explica que o estresse positivo ocorre na primeira fase, em que se produz adrenalina e há ânimo. Como exemplo, ela cita o nascimento de um filho, que pode ser um momento maravilhoso, mas frustrante e que exige muito esforço do organismo para se adaptar.

Marilda reforça a importância de entender essas fases para que a pessoa tente administrar os enfrentamentos de forma afirmativa. "Às vezes, ela tem uma vida tranquila, mas se não tem estratégia, fica prejudicada quando o evento ocorre. É sempre bom aprender o enfrentamento, é uma forma de prevenção", afirma.

terça-feira, 20 de agosto de 2019

Acupuntura na gravidez e amamentação - parte 02

Já nas primeiras semanas da gravidez, quando algumas mulheres podem sofrer pequenos descolamentos de placenta, o método pode começar a ser empregado na gestante, pois pode prevenir que o problema progrida e resulte em um aborto espontâneo.

A acupuntura também serve para aliviar os desconfortos comuns da gravidez, como lista Érica: “Ela auxilia no tratamento desde enjoos às oscilações emocionais, passando por dores gerais, inchaço e alterações no sono ou no funcionamento do intestino”.

A quantidade de sessões depende de cada caso e, muitas vezes, já nas primeiras agulhadas a grávida pode ter seu bem-estar de volta – pelo menos até o surgimento de algum outro incômodo típico da gravidez. E tudo bem, já que este é um período que vivemos semana a semana, dia a dia mesmo, né? “Uma gestação tem que ser prazerosa, curtida. Não pode ser considerado normal passar por nove meses de sofrimento”, afirma Laysa.

Bebê sentado ou na transversal? A acupuntura pode ajudar

Uma das coisas que mais tiram o sono das futuras mamães que desejam um parto normal é quando o bebê fica sentado ou na transversal dentro da barriga. De acordo com os especialistas, a acupuntura pode ajudar a reverter essa situação. “Existem protocolos específicos para aumentar a movimentação fetal e auxiliar em seu encaixe. Neste caso, além das agulhas, utilizamos uma outra técnica da medicina chinesa, chamada moxabustão, que consiste em um bastão de artemísia utilizado para estimular os pontos de acupuntura por meio do calor”, conta Érica.

Laysa esclarece, ainda, que timing é tudo nesse caso: “Quanto mais cedo se notar que o bebê precisa ser reposicionado, maiores as chances de sucesso. O ideal é começar essa movimentação por volta da 30ª semana.”

Espetadas a favor do nascimento da criança

Trabalhos de parto lentos, em que as contrações demoram para ficar ritmadas e a dilatação parece não evoluir, podem ser muito beneficiados pela acupuntura. “O efeito ocorre na mesma hora. A estimulação da acupuntura é só um empurrãozinho de que o corpo precisa”, diz Laysa.

A prática também auxilia no estímulo ao início do trabalho de parto. Sabe quando a gestação já passou da fase de estar apenas a termo (já passou da 37ª semana) e está ali pela 40ª semana e parece que as coisas não evoluem? Nesse ponto! “A acupuntura pode amadurecer o colo do útero e induzir o início das contrações”, esclarece a acupunturista. “E sem a necessidade de indução medicamentosa”, completa a fisioterapeuta obstétrica.

Amamentação e acupuntura: uma combinação perfeita

Mãe e bebê de volta para casa, o foco é no desenvolvimento da relação entre os dois e na amamentação. Muitos motivos levam algumas mulheres a enfrentar dificuldades para amamentar – nervosismo, ansiedade, cansaço, privação de sono –, e a acupuntura pode contribuir para o sucesso do aleitamento materno. “Esses problemas também acabam afetando a produção de leite, então a acupuntura entra em jogo para controlar esses sintomas e evitar que eles continuem atrapalhando”, afirma Érica, que conta que sessões com as agulhinhas podem estimular ou regular a lactação e até tratar mastites.

A especialista da capital paulista ressalta que mesmo as mães que desejam retomar a amamentação depois de notar o leite secar podem contar com o método chinês. “A gente sempre tem que lembrar que ela trabalha as energias do próprio corpo. Acionando os pontos específicos, o leite que já secou volta a fluir, o leite que está escasso fica abundante e até uma relactação pode ser mais fácil”, finaliza.

segunda-feira, 19 de agosto de 2019

Acupuntura na gravidez e amamentação - parte 01

Uma das grandes vantagens de vivermos gestações e a criação de filhos nos dias de hoje é podermos aproveitar todos os avanços e recursos da área da saúde, além de termos acesso a muita informação sobre as semanas da gravidez e cada fase do desenvolvimento dos bebês e das crianças. Assim, podemos complementar o pré-natal, o parto e o pós-parto com tratamentos como a osteopatia e a acupuntura para o alívio de incômodos e dores e mesmo para que eventos naturais, como a amamentação, sejam mais tranquilos.

Prática principal da medicina tradicional chinesa, a acupuntura tem o objetivo de ativar pontos que estimulam e liberam substâncias e hormônios do próprio paciente para cuidar de suas dores e problemas de saúde. “Fazendo uma analogia bem visual: às vezes, as estradas do corpo ficam congestionadas e a acupuntura atua para liberar esse trânsito”, ilustra Laysa Duch, fisioterapeuta obstétrica e pélvica e acupunturista de São Paulo.

Érica de Paula, acupunturista e doula de Brasília, afirma que a técnica pode ser aplicada em todo o corpo, tanto em pontos locais (como em dores na lombar ou no ciático) quanto em pontos sistêmicos (aqueles que ficam espalhados pelo corpo e interferem de forma geral nos órgãos).

Mas o ginecologista e obstetra Paulo Noronha, que indica a acupuntura para suas pacientes que precisem trabalhar os sintomas desagradáveis da gravidez, alerta para um cuidado importante: “Até a 37ª semana de gestação, não se deve ativar os pontos que estimulam o útero. Até a 22ª semana, essa ativação eleva o risco de um aborto espontâneo; da 23ª à 37ª semana, pode levar a um parto prematuro.” Ele explica que tais pontos, que ficam nas mãos, nas costas e no tornozelo, podem ser manipulados da 38ª semana em diante, quando o bebê já está a termo, caso haja necessidade clínica de induzir o trabalho de parto.

Para ter a segurança de que não haverá nenhum acidente neste sentido durante a gravidez, é imprescindível fazer as sessões de acupuntura com um/a profissional comprovadamente experiente no trato com gestantes. “Também é importante trocar ideias com o obstetra que esteja acompanhando a gestação sobre a possibilidade de se submeter à acupuntura. Sempre é melhor ter a liberação do médico”, defende Paulo.

Feita essa ressalva, o resto é tranquilo: por tratar os pacientes com a ativação do que existe no próprio corpo apenas com as agulhas apropriadas, sem o uso de elementos artificiais, a acupuntura é uma alternativa aos tratamentos medicamentosos. “Ela é uma grande aliada em um período em que existem muitas limitações em relação a remédios e outros procedimentos”, diz Érica.

terça-feira, 13 de agosto de 2019

Menos dor, melhor rendimento: acupuntura conquista atletas

Técnica chinesa tem sido cada vez mais usada no tratamento de lesões ligadas ao esporte; médico explica o procedimento e detalha os benefícios

Tradicional técnica da medicina chinesa, a acupuntura vem ganhando cada vez mais espaço entre os atletas amadores de plantão. Quem corre, pedala ou pega peso na academia convive com dores e lesões que atrapalham o rendimento e muitas vezes levam ao afastamento da atividade. Foi o que aconteceu com o baiano Alexandre Reis. Hoje ele se dedica às maratonas aquáticas e nada todos os dias. Mas isso não seria possível sem a acupuntura. Com o tratamento, ele se livrou de uma hérnia de disco na lombar, pontos de gatilho nos ombros e de uma fascite plantar. Lesões que adquiriu durante o período de cinco anos em que ficou sedentário.

- A maratona aquática mudou a minha vida, e a acupuntura me ajudou diretamente nesse processo. Minha confiança em fazer todas as minhas atividades, desde o lado pessoal até o profissional, só aumenta. Faço há 10 anos e indico para qualquer um. Espero poder continuar fazendo o meu esporte até ficar bem velhinho - comentou Alexandre.

Mas como pequenas agulhas podem ser tão eficientes? De acordo com o doutor Walter Viterbo, médico de Alexandre e dono de uma clínica referência em acupuntura em Salvador, a base do procedimento é a endorfina, que está relacionada ao prazer e à diminuição da dor, tendo dois tipos de ação, local e central. Assim, o sistema nervoso seria estimulado a partir dos acupontos, gerando respostas positivas no tratamento de diversas patologias.

- A inserção da agulha estimula as terminações nervosas existentes na pele e nos tecidos subjacentes, principalmente os músculos. A mensagem gerada por esses estímulos segue pelos nervos periféricos, até o sistema nervoso central, medula e cérebro. Aí, deflagra a liberação de diversas substâncias químicas conhecidas como neurotransmissores, desencadeando uma série de efeitos importantes, tais como: analgésico, anti-inflamatório e relaxante muscular, além da ação moduladora sobre as emoções, o sistema endócrino e imunológico e sobre várias outras funções orgânicas - explicou.

O médico lembra ainda que os benefícios da acupuntura vão além do tratamento do local lesionado, tendo influência sobre a ansiedade e o sono, por exemplo, pontos cruciais na vida de uma atleta.

- No caso dos atletas pode ser usada na recuperação de lesões e também no lado emocional, pois promove a produção de endorfina, que diminui o cortisol, que é o hormônio do estresse, da ansiedade. Também ajuda a melhorar a qualidade do sono, fazendo com que a pessoa tenha um nível de regeneração maior no sono.

No geral, de duas a três sessões por semana são suficientes para que os benefícios da acupuntura comecem a aparecer. Claro que casos mais sérios de reabilitação ou pós-operatório precisam de uma frequência maior.

- O atleta que faz acupuntura de forma regular tem um equilíbrio melhor do que aquele que não faz - afirma Viterbo.

A acupuntura também pode ser uma saída para aquelas pessoas que não gostam ou não querem tomar remédios. O médico garante que é possível conseguir bons resultados em tratamentos apenas com as agulhas.

- Existem resultados positivos só com acupuntura. Claro que para um atleta que quer voltar à ativa de forma rápida, é indicado que associe a outras terapias.

O próprio doutor Walter Viterbo é praticante de muay thai e também se trata com acupuntura. Ele ressalta que cada caso é único, e as respostas ao procedimento serão diferenciadas.

- Um dos preceitos da filosofia da medicina tradicional chinesa é atender o paciente como um ser único, integral e holístico, enxergar o indivíduo como um todo, respeitando as suas individualidades. Cada paciente responderá de acordo com a sua capacidade genética para esses estímulos.

segunda-feira, 12 de agosto de 2019

Acupuntura aplicada na oncologia

A acupuntura é um conhecimento de origem milenar que se desenvolveu empiricamente e, com o passar do tempo, sobretudo nos últimos 50 anos, tem tido seus efeitos estudados e comprovados à luz da metodologia científica contemporânea. A acupunturiatria é a especialidade médica que se dedica ao estudo e pesquisa dos conhecimentos acerca das redes do sistema nervoso e miofascial, redes metabólicas e redes genômicas, e que conduz a especial manejo clínico dos pacientes. Sua atuação se dá por meio de procedimentos, sobretudo invasivos, com estímulos geralmente feitos por meio de agulhas em regiões do sistema nervoso periférico, cujas informações serão processadas pelo sistema nervoso central (SNC) e desencadearão respostas complexas que proporcionam normalização das funções orgânicas. Assim, a acupuntura configura-se como a denominação de um determinado procedimento terapêutico característico, e acupunturiatria define a especialidade médica.

A intervenção da acupuntura não é inócua e totalmente livre de riscos e, justamente por isso, é considerada uma modalidade de tratamento em medicina intervencionista e que tem indicações, contraindicações e potenciais efeitos adversos. É importante saber que para determinadas situações ela pode ser indicada eficazmente como tratamento isolado; na maioria das vezes, é indicada como tratamento adicional (adjuvante e/ou neoadjuvante); e, em outras situações, ela simplesmente não está indicada ou até mesmo está contraindicada.

No caso de pacientes oncológicos, a intervenção por acupuntura está indicada como tratamento complementar ao tratamento convencional e jamais como tratamento isolado ou em substituição ao tratamento instituído. Nesses pacientes, o mais grave e danoso é a falta de diagnóstico clínico nosológico, o que compromete, seriamente, a vida e a sobrevida do paciente, já que isso implicaria atraso do tratamento oncológico específico e adequado. Por isso, é importante que seja feita uma correta avaliação médica, com definição do diagnóstico clínico-nosológico, estadiamento e prognóstico.
A variedade dos tipos de câncer e suas particularidades, a grande quantidade de opções de tratamento e, consequentemente, os resultados e efeitos colaterais fazem com que a intervenção por acupuntura em pacientes portadores de neoplasia maligna seja um desafio maior do que em pacientes sem câncer. O médico acupunturiatra que lida com pacientes oncológicos deve estar atento à doença de base, o tipo de câncer, estadiamento e possíveis locais de metástases, sempre objetivando avaliar a evolução da doença e evitar o agulhamento no local do tumor. A acupuntura no local do tumor está totalmente contraindicada devido ao risco de aumento do fluxo sanguíneo local e aumento da funcionalidade tecidual da região, acarretando, consequentemente, a nutrição do tumor e progressão da doença, culminando com a piora da condição clínica do paciente.

 As principais condições que acometem os pacientes oncológicos e que são abordadas através da intervenção por acupuntura são: dor oncológica e dor crônica, náuseas e vômitos induzidos por quimioterapia, dor nas articulações secundária ao uso de hormonioterapia, síndrome vasomotora/fogachos, xerostomia (secura na boca), disfunções no sistema imunológico, constipação e transtornos emocionais como ansiedade e depressão.

Embora a acupunturiatria oncológica seja uma subespecialidade emergente e relativamente nova, pesquisas recentes encontraram evidências promissoras de seu papel no manejo de vários sintomas, principalmente quando as opções de tratamento existentes permanecem um desafio.

Por fim, é conveniente ressaltar que a prática da acupuntura só pode ser feita por profissionais da medicina, da medicina veterinária e odontologia – cada um em seu campo de atuação, também definido por lei. A aplicação da acupuntura por qualquer outro profissional é ilegal e pode causar sérios danos à saúde do paciente.