quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Moxabustão

A moxabustão é uma técnica terapêutica da Medicina Tradicional Chinesa. Baseia-se nos mesmos princípios e conhecimentos dos meridianos de energia utilizados na acupuntura. Esta prática, pela documentação antiga existente, parece ser anterior à acupuntura.

O efeito da moxa é semelhante á acupuntura, que age estimulando os pontos da acupuntura para fortalecer a circulação do Qi (energia) e do sangue, sendo que a moxa estimula com o calor. No capítulo 75 do Ling Shu está escrito “quando o sangue nos vasos torna-se estagnante ou fica bloqueado, deve ser tratado somente pelo fogo”. Esta e outras passagens descritas nos livros antigos ilustram bem as funções da moxa.

A moxabustão é a queima de Artemísia vulgaris, especialmente preparada, sobre um acuponto. Ela pode ser feita de diferentes maneiras, e o seu efeito é predominantemente estimulador (tonificante).

O calor da moxabustão é extremamente penetrante, tornando-se eficaz quando há menos circulação, condições frias e úmidas, além da deficiência do Yang. Quando aplicada aos pontos de acupuntura específicos com deficiências do Yang, o corpo absorve o calor recuperando mais rapidamente o Qi (energia) do Yang do corpo e o “fogo ministro” fonte de todo o calor e energia do corpo.

Tipos de moxa:

- direta = quando a moxa é utilizada diretamente sobre o acuponto.

- indireta = quando se algo entre a moxa e o acuponto, como sal, gengibre ou alho (principalmente no ponto VC8)

A ação principal é aumentar o yang e tonificar. A presença do gengibre ou do alho aumenta este poder. O sal retém por mais tempo o calor. Podem ser usadas para dispersar fleuma localizada, quando não há presença de calor.

Ação sob a visão ocidental:

- vasodilatação = aumenta a circulação local

- ativação de receptores de calor

- ação química local (liberação de substâncias sobre o acuponto)

- ação neuroendócrina

- diminui a resistividade

- aumenta a condutância do acuponto

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Acupuntura no tratamento da hipertensão

"A acupuntura pode melhorar a função do lado esquerdo do coração, além de ser eficaz em pessoas em quem os medicamentos anti-hipertensivos não surtiram efeito". Isto é o que mostra o livro "Como Conviver com a Hipertensão", da Publifolha, que alia tratamentos médicos convencionais a terapias alternativas complementares para prevenir e tratar a hipertensão.

Veja abaixo trecho do livro que explica os benefícios da acupuntura para a pressão arterial.

Acupuntura

A acupuntura faz parte da Medicina Chinesa Tradicional. Baseia-se na sabedoria de que todos possuem uma energia vital vibrante, conhecida como "qi" ou "chi" (pronuncia-se tchi), que flui pelo corpo ao longo de canais específicos conhecidos por meridianos. Existem 12 meridianos principais, que correspondem aos órgãos do corpo. O Qi penetra nos meridianos de fora do corpo, flui numa direção específica ao longo dos meridianos e nutre os órgãos internos no processo.

Enquanto a energia Qi flui suavemente pelos meridianos, vivemos num estado de saúde e equilíbrio. Mas se o fluxo do Qi for interrompido por fatores como estresse, nutrição deficiente e negligência espiritual, haverá um desequilíbrio no fluxo de energia, que resulta nos sintomas de uma saúde prejudicada. De acordo com a medicina chinesa tradicional, a hipertensão se origina do bloqueio de energia no meridiano do fígado.

A acupuntura foi criada para desbloquear a energia por meio de inserção de agulhas em pontos específicos dos meridianos, conhecidos como pontos de acupuntura, onde o Qi está concentrado e por onde o Qi pode entrar ou sair do corpo.

Qual a eficácia da acupuntura?

As pesquisas demonstram que a acupuntura pode aliviar o estresse liberando substâncias químicas naturais similares à heroína no cérebro, e pode diminuir a pressão arterial atuando sobre a secreção de hormônios no organismo. Em um experimento publicado em 1997, 50 pessoas não tratadas de hipertensão primária fizeram acupuntura e, em 30 minutos, tiveram uma queda na pressão arterial média de 169/107 mmHg para 151/96 mmHg (com uma diminuição da frequência cardíaca de 77 para 72 batimentos por minuto). Os níveis de renina no sangue, um hormônio relacionado à regulação da pressão arterial, também sofreram uma queda significativa.

Outros estudos demonstraram que a acupuntura pode melhorar a função do lado esquerdo do coração, além de ser eficaz em pessoas em quem os medicamentos anti-hipertensivos não surtiram efeito. Pesquisadores da Califórnia também provaram que a acupuntura pode aliviar o aumento da pressão arterial causado pelo estresse mental - naqueles que fizeram acupuntura, a pressão arterial teve um aumento de apenas 2,9 mmHg durante os períodos de estresse, em vez dos 5,4 mmHg daqueles que receberam uma simulação de acupuntura.

Consulta com um acupunturista

Durante a consulta inicial, o acupunturista fará perguntas detalhadas sobre sua saúde, estado emocional, saúde pregressa e histórico familiar. Também sentirá o fluxo do Qi por meio dos meridianos medindo o pulso (existem 12 pulsos no punho, seis em cada punho, em vez do pulso único da medicina ocidental) e examinando a aparência geral, cor e textura da língua.

Durante a sessão, o terapeuta estimula (ou às vezes bloqueia) o fluxo do Qi inserindo agulhas finas, esterilizadas e descartáveis milímetros abaixo da pele nos pontos de acupuntura escolhidos. O paciente pode (ou nã) sentir uma leve sensação de picada ou formigamento enquanto a agulha é introduzida. As agulhas podem ser inseridas por alguns segundos, alguns minutos ou por até uma hora. Podem ser mexidas ou giradas para estimular o Qi e liberar ou dispersar a energia de um ponto de acupuntura. Em alguns casos, a ação das agulhas é reforçada com eletricidade (eletroacupuntura) ou com a queima de ervas (moxabustão). No caso de um problema crônico como a hipertensão, você se beneficiará com uma ou duas sessões por semana durante dois meses pelo menos.

Acupressão

Você mesmo pode estimular os pontos de acupuntura usando a pressão do polegar ou do dedo. Isso é conhecido como acupressão e baseia-se nos mesmos princípios fundamentais da acupuntura. Muitas pessoas se sentem mais confortáveis com a acupressão do que com a inserção de agulhas. Deve-se evitá-la se a pressão arterial estiver em 200/100 mmHg ou mais alta. Entretanto, se a pressão arterial estiver abaixo disso, experimente estimular os pontos adequados.

Autoacupressão

Existe um ponto de acupuntura na medicina chinesa, conhecido como LV3 (F3) ou tai chong (onda grande), que se localiza no meridiano do fígado. Estimular esse ponto ajuda a diminuir a pressão arterial pela liberação de energia bloqueada ao longo do meridiano do fígado. Para encontrar o LV3 (F3), posicione o indicador na ponta do pé, na porção da pele entre o dedão e o segundo dedo. Então deslize o dedo 2 cm ao longo da ponta do pé, até sentir uma depressão entre os dois ossos principais. Pressione esse ponto com o dedo indicador.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/equilibrio/noticias/ult263u500192.shtml

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Acupuntura para controle da dor em atletas

Sabemos que o triathlon é um esporte com importante desgaste físico e mental, o elevado consumo energético contribui de maneira importante para o aparecimento de diversas lesões. O preparo dos atletas exige muita disciplina, orientação de equipe interdisciplinar, controle alimentício e cuidados diários devido ao grande volume de treinamento.

Sendo assim, no IRONMAN BRAZIL 2010, foi realizada uma pesquisa com 15 triatletas um dia antes da realização da prova. Todos responderam a um questionário com o objetivo de avaliar aspectos referentes à: saúde de um modo geral, rotina diária de treinamento (horas e dias), suplementação utilizada durante toda a preparação, qualidade de sono, histórico de lesões, bem como, problemas respiratórios, cardíacos, neurológicos e dermatológicos. As questões foram elaboradas seguindo protocolo de acordo com a Medicina Tradicional Chinesa, com o objetivo de avaliar e relacionar as principais queixas, com as possíveis síndromes energéticas.

Após análise dos resultados obtidos, verificou-se que nem todos os atletas já tinham realizado uma prova de Ironman anteriormente. Alem disso, a média de treinamento diário foi de 2h30. Todos apresentaram regularidade no sono, dormindo mais de 7 horas por dia, tanto na visão Oriental quanto Ocidental isto é de fundamental importância para recuperação de todo o esforço físico que os atletas são submetidos diariamente.


Outro aspecto interessante observado na pesquisa foi a utilização de suplementação, onde: 80% faziam uso de carboidratos, 73% de aminoácidos, 60% de complexos vitamínicos, 53% faziam reposição protéica e 20% de creatina.

Além da suplementação, pode-se observar que a maioria dos atletas avaliados (86,6%) apresentaram histórico de alterações do sistema músculo-esquelético sendo as principais:
* Lesões musculares;
* Fascite plantar;
* Tendinites;
* Dores na coluna;
* Dores no ombro, joelho e cotovelo.


Na Medicina Tradicional Chinesa, utilizou-se diversos métodos de avaliação, tais como: análise dos canais de energia (meridianos), uso de equipamento para análise de eletrodiagnóstico, aferição de pulso, verificação da forma e da cor da língua, dentre outros. Métodos considerados de suma importância no diagnóstico e tratamento de acupuntura.

Nos resultados, verificou-se que a maior parte dos atletas apresentavam alterações dos canais de energia, onde, relacionou-se às queixas de lesões apresentadas pelos atletas.

Já, durante a análise da língua, foi feita uma foto em alta definição, estudamos e tabulamos área por área. Pode-se constatar que todos os triatletas avaliados demonstraram quadros de deficiência em regiões específicas, bem como, alterações de fadiga crônica.

Objetivando melhora na performance, o tratamento com acupuntura poderá ser uma ferramenta importante. Podemos exemplificar o melhor controle da dor, onde os treinos serão mais intensos, bem como, o volume diário. Resultando assim, em melhor recuperação e performance. Sabemos que cada pessoa possui um limite e orientamos que nunca o ultrapasse.

A procura pela acupuntura tem sido cada vez maior por atletas de alta performance e também amadores, com o propósito de minimizar todo o desconforto e dor devido a importante carga de treinamento que são submetidos.

Conclui-se nessa pesquisa que os atletas apresentaram inúmeras síndromes energéticas pré prova de ironman, podendo estas alterações estarem relacionadas com o treinamento intensivo para realização deste tipo de prova.

Atletas de alto nível são atendidos atualmente, destacando entre eles o triatleta Fábio Carvalho, que responde de maneira excepcional com o tratamento de acupuntura.

As provas de longas distâncias requerem cuidados especiais para todos os praticantes, o desgaste físico e mental são fatores decisivos para o aparecimento de inúmeras síndromes energéticas. O tratamento com acupuntura vem a diminuir estas complicações melhorando de forma eficaz o rendimento dos atletas.

Respeite seu limite, aumente gradativamente sua performance, e procure sempre a opinião de profissionais qualificados, desta maneira o sucesso neste esporte é certo.

Fonte: http://midiasport.com.br/artigosDetalhes.php?cd=344

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Saúde física e emocional e o livre fluxo de Qi

Uma das idéias fundamentais da Medicina Tradicional Chinesa é o conceito de “Livre Fluxo” de Qi (energia vital), Sangue e Fluidos Corpóreos. Quando o corpo funciona em Livre Fluxo, sem bloqueios, não existe possibilidade de haver desarmonias, desequilíbrios ou dor. Desta forma, independentemente da demanda ou necessidade, o tratamento com Acupuntura sempre irá se destinar a reestabelecer este Livre Fluxo, também chamado de Homeostase.

Mas como a perda do Livre Fluxo e a sensação física de dor se relacionam? Uma situação bastante comum de acontecer é a dor na região das costas (cervical alta) e dos ombros nos casos de estresse. A pessoa estressada acumula a tensão nesta região, contraindo a musculatura e gerando nódulos de tensão. O enrijecimento da musculatura prejudica o Livre Fluxo na região, pois a contração diminui o calibre dos capilares sanguíneos que irrigam a região; se o Sangue não circula uma série de alterações fisiológicas ocorrem, cujo resultado final é a dor.

Neste caso, o papel específico da Acupuntura será o de remover este bloqueio e restabelecer o Livre Fluxo na região. Removendo o bloqueio a dor desaparece e a sensação de bem-estar se estabelece. Para tal, são usados pontos locais que serão manipulados de modo a relaxar a musculatura e diminuir a contração, e pontos distais que irão reduzir a inflamação no local da dor. Outras ferramentas da Medicina Chinesa poderão ser empregadas, como Ventosas e também massagem, que irá melhorar o aporte sanguíneo para a região. A escolha destes métodos dependerá de cada caso e também da experiência do Acupunturista em questão. O tratamento se destinará a devolver o corpo para o estado de homeostase que existia antes da desarmonia se manifestar através da sintomatologia dolorosa.

O mesmo raciocínio é utilizado diante de outras queixas, tais como doenças internas e emocionais. No caso de uma doença digestiva, por exemplo, os pontos serão selecionados de modo a direcionar Qi, Sangue e Fluidos para os órgãos que participam do processo digestivo, garantindo assim o Livre Fluxo nos mesmos. Benefícios secundários, como uma melhoria na qualidade do sono, por exemplo, ou o tratamento simultâneo de estados emocionais subjacentes (como o estresse, muito relacionado a problemas digestivos), também ocorrerão.

No caso específico dos transtornos emocionais, por outro lado, o tratamento terá como objetivo garantir o Livre Fluxo das próprias emoções, de modo que o paciente volte a funcionar como a criança que foi um dia: as crianças estão felizes e, no momento seguinte, estão tristes ou com raiva, mas tudo passa depois de cinco minutos e elas voltam a se sentir bem. De acordo com a Medicina Chinesa, o estado emocional patológico ocorre quando há fixação em uma única emoção – a tristeza, a raiva ou a ansiedade e a preocupação, por exemplo. Há uma máxima chinesa que diz: “A permanência exagerada em um estado emocional pode lesar órgãos internos, assim como a lesão de órgãos internos pode gerar estados emocionais alterados”. O grande benefício do tratamento de transtornos emocionais com a Medicina Chinesa é o de que não importa o que vem antes, ambas as facetas do transtorno serão tratadas simultâneamente.

Apesar de não substituir o tratamento médico ou psicoterápico tradicionais, a Acupuntura e as demais técnicas da Medicina Chinesa irão garantir uma série de benefícios primários (alívio dos sintomas) e secundários (o retorno do estado de Livre Fluxo e da homeostase do organismo). A visão holística da Medicina Chinesa sobre o ser humano é o grande diferencial dos tratamentos com Acupuntura, que entende os estados de Saúde e de Doença como duas manifestações da mesma energia – o Livre Fluxo garante a Saúde, e as estagnações e bloqueios são os que trazem a Doença.

Por isso, não importa qual seja a sua queixa, procure um Acupunturista hoje mesmo e ganhe qualidade de vida e bem estar!

Fonte: http://tinyurl.com/3p3x2tn

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Terapias para uma vida mais saudável

Acupuntura, shiatsu, massoterapia, quiropraxia: por que elas são cada vez mais procuradas

Uma década atrás, pouco se ouvia falar sobre acupuntura, massoterapia, shiatsu e quiropraxia. Hoje, o uso de terapias alternativas tem se tornado uma opção cada vez mais procurada pelos natalenses em busca de mais qualidade de vida. Utilizando técnicas orientais com auxílio da medicina tradicional, esses métodos corrigem problemas na musculatura, no sistema ósseo e na energia do corpo.

Foi por causa das dores devido à coluna "empenada" e de muito gelo para tentar aliviar a tensão nas costas que o advogado João Marcelo Cabral, 35 anos, procurou há uma clínica especializada em terapias alternativas. "A rotina cheia de audiências, sentado no computador dentro do escritório, a quantidade de clientes. Todos são fatores que me levaram a ficar com problemas de locomoção, depressão e ansiedade", descreveu.

Os efeitos das terapias a que João Marcelo foi submetido - acupuntura, massoterapia e quiropraxia - o fizeram perceber, em duas semanas, significativa melhoria em seu quadro clínico. "Agora que a parte aguda dacrise passou, volto a ser o jovem de 35 anos que sou", disse, animado com a recuperação.

Tanta empolgação é fruto do trabalho na clínica do psicólogo, massoterapeuta e acupunturista radicado em Natal Akira Yano, que nasceu no Rio de Janeiro, mas tem raízes orientais. São cerca de 20 pacientes atendidos diariamente com os mais variados problemas musculares e ósseos. Ele é é psicólogo clínico, especialista em acupuntura, formado em quiropraxia e massoterapia.

O segredo de Akira Yano para o sucesso de seus tratamentos: unir as técnicas orientais com a psicologia ocidental. "Para fazer as pessoas se sentirem mais felizes, é preciso ter uma visão mais abrangente da terapia oriental. Se você provoca um efeito na parte física, atinge o emocional. Essas terapias associadas à psicologia têm um efeito bem melhor", garante.

As terapias alternativas podem, segundo Akira Yano, substituir remédios tradicionais. "Mas é preciso que tudo seja feito de forma muito criteriosa, com acompanhamento de médicos, fisioterapeutas e nutricionistas. Enfim, depende da melhora no quadro clínico do paciente".

Fonte: http://www.diariodenatal.com.br/2011/06/26/cidades2_0.php

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Corrimento vaginal de acordo Medicina Tradicional Chinesa

Também chamada de vaginite ou vulvovaginite, a leucorréia é caracterizada pelo aumento do fluxo de descarga vaginal (corrimento vaginal). Os principais sintomas são, além do aumento no fluxo vaginal, cheiro forte e desagradável, secreção com consistência alterada, coceira na vagina ou na vulva, aumento da vontade de urinar, ardor ao urinar e dor e irritação durante o ato sexual.

Secreção vaginal e vida reprodutiva

A secreção vaginal é normal durante os anos reprodutivos, sendo resultado da secreção de glândulas do corpo, da descamação das células vaginais e das bactérias presentes na flora vaginal. Em seu aspecto normal, não apresenta cheiro e tem a coloração esbranquiçada.

Durante a fase reprodutiva a vagina é bastante resistente a infecções, pois seu epitélio é muito resistente e o meio é ácido, o que inibe o crescimento excessivo dos agentes patogênicos. A saúde vaginal é determinada pelo ph da vagina entre 3,8 e 4,2. Esta é a condição ideal para a sobrevivência de certos lactobacilos que habitam a vagina saudável, e que são atacados por fungos como a Cândida caso o meio se torne mais ácido. Se o ph se torna mais alcalino, pode ocorrer ataque das bactérias tricomonas. Tratamentos com antibióticos também podem alterar o ph vaginal e afetar sua flora.

O muco cervical, o fluxo menstrual, a excitação e relações sexuais alteram o ph vaginal, predispondo às vaginites. Na infância, a higiene inadequada após a evacuação pode causar vulvovaginites inespecíficas; após a menopausa, a diminuição na produção de estrógenos acarreta na modificação no epitélio vaginal, fazendo com que a vagina seja bastante suscetível às agressões externas. Além disso, certos produtos químicos encontrados em sabonetes, absorventes higiênicos e substâncias perfumadas podem causar irritação e desconforto.

O estresse também é um fator que deve ser levado em consideração no estabelecimento do quadro de leucorréia, uma vez que altera o equilíbrio do corpo como um todo, diminui a imunidade e facilita a contaminação por agentes patogênicos externos como os fungos e as bactérias.

A leucorréia pode ocorrer em decorrência de certas doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) como a clamídia, a gonorréia e a herpes, por micoses como a Candidíase, por cânceres ginecológicos de baixo ventre (com sintomas gaves e persistentes como corrimento fétido, de aspecto achocolatado, sanguinolento e viscoso), ou pela gavidez. Ainda, pode ocorre antes ou depois das menstruações que, como já foi dito antes, alteram o ph vaginal tornando-a vulnerável à desequilíbrios.

No exame ginecológico o médico observa a cor, consistência e odor da secreção vaginal, que em seu aspecto normal é branca e pouco espessa. Quando alterada, pode se apresentar em abundância, leitosa ou com a consistência de leite coalhado. Se o ph estiver aumentado é sinal de infecção e o material colhido será analisado por um laboratório. Exames simples mostram qual a bactéria ou fungo envolvido ou possibilitam levar adiante suspeitas de tumores.

Na Medicina Ocidental o tratamento se dá após o estabelecimento de qual fungo ou bactéria está causando o quadro. No caso das Tricomonas recomenda-se o uso de Metronidazole (2g, dose única para os dois parceiros). No caso da Candidíase o tratamento é à base de Clotrimazole ou nitrato de miconazole. Deve-se evitar as relações sexuais durante o tratamento.

Prevenção

Como medidas preventivas, recomenda-se prestar especial atenção à higiene da região vaginal; após a evacuação, é recomendado que a higiene seja feita com banho de assento. O papel higiênico deve ser utilizado de frente para trás, evitando assim a disseminação de bactérias presentes nas fezes para a região da vulva. O ideal é que a calcinha seja feita de algodão e não seja muito apertada, para proporcionar que a região esteja sempre arejada. A umidade local tambem é um aspecto que deverá seer obsevado, pois proporciona um ambiente ideal para a proliferação de fungos ou bactérias. Por isso, recomenda-se que a troca de roupas íntimas e de absorventes higiênicos seja feita com frequência. Finalmente é recomendado também cuidado tanto na escolha dos perceiros sexuais como também visitas frequentes ao médico ginecologista.

Uma intervenção caseira que pode ser adotada sem necessidade de procurar um médico é o banho de assento com chá de camomila, que possui propriedades antibióticas e antinflamatórias.

Leucorréia na Medicina Tradicional Chinesa (MTC)

Na MTC a leucorréia é chamada de “Dai Xia” (descarga vaginal) e, de acordo com a sintomatologia, poderá receber diferentes diagnósticos. De modo geral, alguns sistemas podem estar envolvidos no desencadeamento da desarmonia: Baço, Fígado e Rim, além de alguns canais de energia ditos “Extraordinários” como o Vaso Penetrante (Chong Mai), o Concepção (Ren Mai) e o da Cintura (Dai Mai). Cada um dos diagnósticos acarretará em um tratamento diferente, o que faz com que seja imprescindível que um profissional treinado seja procurado para que possa planejar o tratamento.

Quando uma deficiência do Baço estiver presente, diz-se que ocorre uma Leucorréia do tipo Umidade-Fria. Os principais sintomas serão leucorréia profusa e espessa de coloração branca ou amarela-clara, sem alteração de odor. A cor da pele pode estar pálida ou amarelada e a pessoa pode relatar sensação de cansaço, falta de apetite, sensação de inchaço abdominal e edema de membros inferiores. As fezes podem estar soltas e as extemidades do corpo frias. Outros sintomas que podem estar associados são náusea, sede sem vontade de ingerir líquidos e urina escassa. O pulso será fraco e lento e a língua pálida com revestimento pegajoso e branco. Nestes casos, o tratamento deve se destinar a fortalecer o Baço e eliminar a Umidade. Quando os sintomas de frio forem muito intensos, deve-se aquecer o Yang do Baço também.

De acordo com a MTC, o Baço é facilmente afetado pelo fator patogênico externo Umidade; deste modo, se estiver deficiente, o Baço se tornará facilmente propenso a ser invadido pela Umidade, o que pode desencadear a leucorréia. O meio ambiente, portanto, influencia bastante na coexistência de fatores que podem facilitar que a leucorréia se desenvolva: moradoras de regiões mais úmidas, como o litoral, por exemplo, estão mais propensas a desenvolver a leucorréia do que mulheres que vivam em locais mais secos, principalmente aquelas que já apresentem alguma deficiência nas funções do Baço.

Já quando o Rim parece estar em deficiência observaremos sintomas bastante semelhantes no que se refere à leucorréia, igualmente do tipo Umidade-Fria, com a diferença de que, neste caso, a secreção será mais aquosa e transparente. Além disso, dor na região lombar, micção frequente e excessiva, fezes soltas, extremidades frias e sensação de frio, língua pálida e pulso profundo são observados. O princípio de tratamento será o de nutrir o Rim e expulsar o frio, aquecendo o Yang do Baço. Na grande maioria das vezes, o que se observa são patologias que combinam desarmonias do Baço e do Rim; nestes casos, ambos deverão ser trabalhados, e tanto a Umidade quanto o Frio deverão ser expelidos.

Se as leucorréias que evolvem Baço e Rim são diagnosticadas como do tipo Umidade-Frio, a causada por uma desarmonia do Fígado recebrá o nome de Umidade-Calor. Geralmente o fator desencadeante é o mesmo: um Baço deficiente que, ao falhar em suas funções de transformar e transportar os líquidos do corpo, permite que a Umidade se instale no aquecedor médio, localizado na região abdominal. Quando o Fígado está em desarmonia ele gera calor, e este Calor pode combinar-se com a Umidade gerando sintomas como a leucorréia mais espessa, amarelada, de odor fétido e que causa coceira. Outros sintomas podem ser fezes secas, urina escassa e amarela, língua vermelha com revestimento amarelo e pegajoso e pulso suave e rápido. Em casos extremos pode haver sangue presente na secreção e sintomas como gost amargo na boca, garganta seca, irritabilidade, sensação febril, palpitação e insônia. Todos estes sintomas estão relacionado à combinação dos fatores patogênicos Calor e Umidade. O Fígado receberá especial atenção no tratamento, que irá se destinar à restabelecer o livre fluxo de Qi e Sangue pelo corpo e a remover a Umidade instalada.

As ervas chinesas são muito úteis no tratamento da leucorréia e também poderão ser utilizadas no tratamento.

Medicina Ocidental X MTC

Traçando um raciocínio paralelo entre a forma da Medicina Ocidental (MO) e a MTC entenderem as leucorréias, pode-se dizer que as do tipo Umidade-Calor são as envolvem a presença de bactérias na flora vaginal e as de Umidade-Frio estão associadas à presença de fungos e micoses. Evidentemente que as medicações halopáticas exercem um resultado bastante rápido, e seu uso deve ser recomendado principalmente quando infecções estiverem presentes, casos nos quais o uso de antibióticos é aconselhado. Por isso é muito importante que o médico ginecologista seja consultado previamente para o estabelecimento do diagnóstico que irá nortear o tratamento estabelecido pelo médico chinês, que poderá também utilizar as ervas chinesas na condução do tratamento. Ainda, vale lembrar que a leucorréia pode ser um indicativo da presença de tumores e cânceres ginecológicos, que apenas poderão ser diagnosticadas por um médico.

A MTC mostra-se especialmente útil no tratamento dos casos crônicos, pois estes envolvem padrões de desarmonia existentes há bastante tempo e que acabam desencadeando as alterações que definem o quadro de leucorréia. Na grande maioria destes casos existem desequilíbrios que favorecem a invasão do interior do corpo pela Umidade externa, ou desequilíbrios que acarretem na formação de Umidade interna, primeiro passo na cadeia de eventos que pode resultar tanto na Umidade-Fria quanto na Umidade-Calor.

A acupuntura é bastante indicada para devolver a harmonia aos sistemas do corpo e também para o alívio dos outros sintomas relacionados à leucorréia (inchaço abdominal, coceira, dor na lombar ou no abdome, etc).

Fonte: http://tinyurl.com/438zabf

sábado, 23 de julho de 2011

Tratamento da Nevralgia do Trigêmeo por Acupuntura

A nevralgia do trigêmeo, ou Tic Doulourex, como também é chamada, consiste em um distúrbio da divisão sensitiva do nervo trigêmeo (quinto par dos nervos cranianos). Suas causas não são conhecidas (RAWLAND, 2000).

O nervo trigêmeo é misto, comportando-se como um nervo espinhal. A raiz sensitiva é bem mais volumosa que a motora, os corpos celulares situam-se no gânglio de Gasser (gânglio trigeminal), que está localizado na fossa craniana média, sobre a porção pedrosa do osso temporal. Os prolongamentos centrais penetram no tronco cerebral ao nível da ponte, mais precisamente entre a ponte e o pedúnculo cerebelar médio, os periféricos dividem-se em três grupos distintos, constituindo os nervos oftálmicos, maxilares e mandibulares. Respectivamente abandonam o crânio pela fissura orbital superior, forame redondo e forame oval (DARRETO, 1989).

O tratamento clínico deve ser de abordagem primária, com intervenção cirúrgica reservada para pacientes refratários ou intolerantes aos medicamentos correntemente disponíveis. Quase todos os pacientes com neuralgia do trigêmeo típica do trigêmeo respondem a carbamazepina, ao menos inicialmente. Somente 25% dos pacientes obtêm alívio prolongado com o uso de fenitoína, de tal forma que seu principal uso é como um adjuvante à carbamazepina. O baclofen, como a carbamazepina e a fenetoína, facilita a inibição segmentar e deprime a transmissão excitatória do núcleo trigeminal espinal ( ROLAK,1995 ).

Segundo Garcia (1999), trata-se de uma dor paroxística de curto tempo de duração, que se distribui na fase ao longo do trajeto do nervo trigêmeo. Esta dor pode ser dilacerante, como um golpe de corrente queimante ou pulsante como uma agulha, podendo durar desde alguns segundos até vários minutos. Aparecem e desaparecem também deste modo, em um dia pode haver de 10 a 100 crises dolorosas. Durante o momento das crises a região onde se distribui o trigêmeo torna-se hipersensível, basta a ação de se lavar a face, escovar os dentes, falar, comer e, em casos graves, até caminhar, para que se produza a dor.

A Acupuntura visa restabelecer a circulação de energia (Qi) nos canais de energia e nos órgãos e vísceras e com isso levar o corpo a uma harmonia de energia e de matéria. Assim, os efeitos combinados da ação de Qi nos Canais de Energia, que se faz de maneira primária, agem sobre o sistema nervoso autônomo e sobre o sistema nervoso central, assim como no Xue (Sangue), difundindo o Qi e os substratos (hormônicos, hormônios cerebrais, etc) provocando as reações (analgesia, hipoalgesia, hiper ou hiper função das estruturas orgânicas) quando se estimulam os pontos de Acupuntura (YAMAMURA, 2001).

No presente estudo é o vento o fator patogênico, neste caso externo, que acaba afetando o fígado, levando a um prejuízo do quinto par craniano, ou seja, o nervo trigêmeo. O vento exterior penetra na pele e pode interferir na circulação do Qi defensivo no espaço entre a pele e os músculos e invadir os meridianos da face. Esta invasão de vento leva a uma estagnação de Qi e sangue, resultando em nutrição insuficiente dos músculos. A invasão inicial de vento-frio pode ser facilitada por uma condição preexistente de deficiência de Qi e de sangue. Na avaliação o paciente nos reportou dor na hemiface esquerda e globo ocular, podendo a mesma irradiar para a ponta do nariz e lábios, que piorava com as baixas temperaturas. Os sintomas variavam desde dormência, dor e “choquezinhos” (S.I.C.). Normalmente não conseguia dormir bem devido às crises ocorrerem durante a noite também. Apresentava ainda dor no ombro e braço direito.

O tratamento teve início em 03/03/07, com sessões uma vez por semana no primeiro mês. Após duas vezes na semana durante três meses e no último mês manteve-se as sessões uma vez na semana. A postura do paciente na maca era de decúbito dorsal com os membros inferiores elevados com apoio de um rolo. Utilizou-se alguns pontos para o fígado, vento e frio, pois na visão pelas síndromes da MTC, neste caso há uma estagnação do Qi do fígado, o que, quando acontece, leva à estase de sangue. Ainda foram utilizados pontos locais na face objetivando o tratamento específico da neuralgia do trigêmeo e pontos locais e à distancia para ombro e braço direito.

Após sete sessões o paciente começou a apresentar melhora significativa, as crises tornaram-se menos intensas, diminuíram as dores no ombro e no braço direito. Sentia-se mais disposto e menos ansioso. O paciente iniciava as sessões sempre com algum tipo de sintomatologia e após saía sem dor alguma, tanto na face e globo ocular como no membro superior direito. Quanto ao pulso, na sétima sessão já apresentava melhora na energia do Fígado, Rim e Coração.

Após seis meses de tratamento (33 sessões), verificou-se que podemos obter resultados satisfatórios com o uso da Acupuntura Sistêmica no tratamento da neuralgia do trigêmeo, mesmo após vários anos de tratamento conservador sem resultados positivos. Conseguimos harmonizar os desequilíbrios energéticos, proporcio-nando ao paciente uma melhor qualidade de vida, gerando um quadro clínico mais perto da normalidade. Todavia, ainda persistem as dores, mas ele as suporta melhor já que vêm diminuindo consideravelmente.

Fonte: http://www.brasilclinicas.com.br/artigos/ler.aspx?artigoID=128